OPERAÇÃO CORTA-CIRCUITO

Estrelando: Grifter, Onça Preta e King

Sistema Pyro – Base Asteroidal da Xenothreat

PRÓLOGO – O CÉREBRO DO INIMIGO

O asteroide 88-V4 era mais do que um pedaço de rocha vagando na escuridão de Pyro.
Por dentro, era um bunker tecnológico da Xenothreat, protegido como um cofre e cheio de túneis estreitos, câmaras blindadas e corredores onde o ar vibrava com o som dos servidores.

Era lá que o Esquadrão 49 havia sido enviado.

A missão era simples no papel:
infiltrar, destruir o núcleo de dados e sumir sem deixar rastro.
No universo real? Nada é simples.

Grifter, Onça Preta e King entraram como sombras — silenciosos, coordenados, cada um sabendo exatamente o que o outro faria antes mesmo de falar.

O núcleo pulsava com luz azulada.
Servidores enormes guardavam informações críticas: rotas, contrabando, movimentação de frotas… tudo que a Xenothreat queria esconder.

Grifter sorriu.
Puxou sua lâmina favorita, Myuda, uma faca de lâmina curva e serrilhada — herança de velhas batalhas.
Um único movimento: fio na garganta do servidor.
Onça Preta iniciou a carga explosiva.
King manteve a retaguarda como uma muralha viva.

Cinco minutos depois, o coração da base virou fumaça.

E foi aí que tudo desandou.


PARTE I – O ESTOURAR DO INFERNO

O alarme não tocou: explodiu.
Luzes vermelhas inundaram os corredores.
Portas se fecharam automaticamente.
A inteligência da estação entendeu que algo impossível tinha acontecido.

“Detectados intrusos. Ação letal autorizada.”

Grifter chutou a porta antes que ela travasse.

“Maioral, hora da correria.”

Eles avançaram.
Tiros ricocheteavam pelas paredes metálicas.
Onça Preta pegava cada arma que caía no chão conforme gastava a munição de outra — parecia uma dança mortal de eficiência e instinto.
Grifter se movia como um fantasma, usando Myuda para silenciar inimigos que surgiam nas laterais, nas tubulações, atrás de caixas.

E King…

King não precisava de arma.

Com os inimigos bloqueando o corredor principal, ele bufou como um touro, deu três passos para trás e explodiu em direção à parede lateral.

Um soco.
Um único soco.

O metal dobrou como papel alumínio.

“Atalho.”
Foi tudo o que ele disse.

Os três atravessaram aquele novo buraco improvisado, enquanto atrás deles a sala se enchia de soldados Xenothreat.

A nave de extração deles, uma Cutlass Red, aguardava na doca externa.
Ou deveria aguardar.

Mas quando a porta de pressão abriu, eles viram a realidade:

A Cutlass explodiu bem diante deles.
Sem aviso.
Sem chance.

Ondas de fogo engoliram a plataforma.

Grifter cerrou os dentes.
“Agora ferrou de vez.”

King sorriu.
“Relaxa. A gente rouba outra.”


PARTE II – A FÚRIA DA ESTAÇÃO

Sem nave, sem rota e com meio exército atrás deles, a única saída era o setor de carga da Xenothreat.

Mas Pyro não perdoa.

Novas tropas surgiram.
Drones de combate apareceram no teto.
Granadas rolavam no chão como pingos de chuva mortal.

Onça Preta liderava a defesa, pegando armas caídas, descarregando-as com precisão milimétrica, largando-as quando esvaziavam, pegando novas.

Grifter se esgueirava entre pilares e máquinas, Myuda cortando cabos, tendões, visores, tubulações — tudo para atrasar os perseguidores.

King…
King era uma locomotiva humana abrindo caminho na base alheia.

Corredor bloqueado?
King abriu outro.
Porta trancada?
King arrombou.
Painel blindado?
King arrancou com a mão.

Uma equipe de dez soldados tentou bloqueá-lo com um escudo energético industrial.
Foram atropelados como bonecos.

Finalmente, chegaram ao hangar de carga.

Ali estava ela.
Uma Corsair roubada.
Preta, suja, com emblemas raspados.
Provavelmente usada em algum transporte ilegal.

Era perfeita.

“Vai servir.” – disse Onça Preta.

Eles embarcaram.
Uma cacofonia de tiros explodiu atrás deles.

King arrancou os cabos da trava manual com as próprias mãos.
Grifter derrubou os últimos homens no corredor.
Onça engatou força máxima.

A Corsair levantou voo como um ferido tentando fugir do hospital.

E então… veio a Cutlass Black inimiga.

Alinhada.
Aposta.
Rangendo as armas.
Abrindo fogo sem piedade.


PARTE III – A FUGA SUICIDA

A corrida começou.

A Corsair, destruída.
Uma única torreta funcionando.
Casco vibrando.
Motores falhando.

Grifter, com Myuda ainda nas mãos, olhou para os dois parceiros.

“Se alguém tiver uma ideia melhor que morrer… aceita-se sugestões.”

King riu.
“Se a gente sair vivo dessa, eu raspo a barba.”

A promessa foi tão absurda que até Onça engasgou.

Foi aí que Grifter teve a ideia impossível.

No compartimento de carga havia uma Ursa Medivac abandonada.

“Maiorais… acho que achei nosso plano B.”

O plano foi aceito sem discussão — ou loucura compartilhada, ninguém sabe.

Onça Preta posicionou a Corsair com a traseira alinhada à Cutlass inimiga.
King ocupou a única torreta funcional.
Grifter, claro, ficou com a parte suicida.

Ele amarrou uma corda no corrimão, entrou na Ursa, ligou os motores, travou o acelerador e abriu a porta traseira.

A Ursa rugiu.

A porta abriu.

E os pilotos da Cutlass viram o impossível:
um bandoleiro sorridente dentro de um Rover espacial acelerando rumo ao abismo.

A Ursa foi solta.
A corda esticou e puxou Grifter para fora segundos antes do impacto.

O veículo acertou o cockpit da Cutlass com força de míssil improvisado.

King, sincronizado como um predador nato, disparou os canhões.
A Ursa explodiu.
A Cutlass virou poeira estelar.

Silêncio.

Respiração pesada.

E a Corsair escapou para o vazio negro.


EPÍLOGO – O PREÇO DE UMA PROMESSA

Horas depois, seguros em um campo de destroços em Pyro III, eles tiraram a icônica foto.

King, cumprindo a promessa mais dolorosa de sua vida, raspou a barba.
Onça gargalhava.
Grifter segurava Myuda no ombro, sorriso de quem enganou a morte de novo.

Era mais um capítulo sujo, caótico, épico e inesquecível do Esquadrão 49.

E como sempre…

Eles sobreviveram.
Eles venceram.
Eles riram no final.

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